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DA FAZENDA DO CARURU
AO PAÍS DE CARUARU
“No começo, simples rancho para pernoite das boiadas vindas do
sertão... em demanda do litoral.” (José Condé, in Terra de
Caruaru, 1977 : 25, 2ªed.).
O Brasil era ainda uma colônia e Pernambuco, uma capitania. Os
portugueses chegaram aqui no começo do século XVI para extrair,
entre outras coisas, o pau-brasil, do qual se tirava excelente
corante vermelho e uma madeira nobre, de boa resistência. Depois,
foi o açúcar. A terra era muito rica, como bem disse Pero Vaz de
Caminha. Para que essa riqueza não caísse em mãos erradas, dos
franceses, por exemplo, o jeito foi colonizar. Navios e mais
navios chegaram à terra e do litoral para a zona das matas, foi
um pulo.
Nessa época, Caruaru não existia, era apenas um bom trecho de
terra no caminho que ia até o sertão, habitado por índios.
O que hoje se conhece como Caruaru começou tomar forma em 1681,
quando o governador Aires de Souza de Castro, em 02 de junho,
concedeu à família Rodrigues de Sá uma “sesmaria” com 30 léguas
de extensão, à margem esquerda do Ipojuca. Mas a família só
viria se instalar aqui, vinda do Recife, no final do século XVII
e a Fazenda (do) Caruru, que foi o início de tudo, foi fundada
logo depois, por Simão Rodrigues de Sá.
Em 1754, registra o professor Josué Euzébio Ferreira, Simão
Rodrigues Duro, filho de Simão Rodrigues de Sá, casou-se com
Antônia Thereza de Jesus, filha dos fundadores do sítio de
Altinho. Tiveram três filhos: Joaquina Rodrigues de Jesus, JOSÉ
RODRIGUES DE JESUS e Maria Conceição de Jesus. Após a morte dos
pais, os irmãos foram morar na fazenda Juriti, ficando a Fazenda
Caruru abandonada.
Em 1776, José Rodrigues de Jesus decidiu voltar para a fazenda
do pai, casando-se em 1781 com uma sobrinha, Maria do Rosário
Nunes, filha de Manoel da Silva e Joaquina Rodrigues de Jesus,
numa união que até hoje têm descendentes na nossa cidade.
Pouco depois, a fazenda Caruru ganhava uma capela, dedicada à
Nossa Senhora da Conceição, e uma pequena povoação começou a se
formar dentro do terreno pertencente à fazenda, sendo
administrada por José Rodrigues de Jesus até sua morte, em 1820,
aos 64 anos de idade, sendo considerado o fundador de Caruaru
pois foi de sua fazenda que nasceu a cidade.
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De Vila a Cidade
Caruaru se tornou cidade, a primeira do Agreste pernambucano,
pelo projeto nº 20, do deputado provincial Francisco de Paula
Baptista (1811-1881), defendido em primeira discussão em 03 de
abril de 1857 e tornado realidade, depois de aprovação sem
debate, em 18 de maio daquele mesmo ano, com a assinatura da Lei
Provincial nº 416, pelo vice-presidente da província de
Pernambuco, Joaquim Pires Machado Portela.
Ao longo das décadas, a cidade cresceu e a antiga Vila do Caruru
hoje é conhecida por vários títulos, como “Capital do Agreste”,
“Capital do Forró”, “Princesa do Agreste”, dentre outros, dando
a dimensão de sua importância política-econômica no cenário
estadual.
A cultura não é menos rica. Caruaru é um reconhecidamente um
celeiro de artistas. Foi em suas terras que nasceram músicos,
escritores, poetas e artesãos, como Vitalino, que projetaram
Caruaru para o mundo. Foi aqui que nasceram personalidades como
os irmãos escritores Condé, Álvaro Lins, Austregésilo de Athayde.
Até uma banda de pífanos feminina tem em Caruaru.
E a maior festa popular em dias consecutivos do país, que é o
São João de Caruaru, com seus 30 dias de festa ininterrupta? No
ano passado, um milhão e meio de pessoas brincaram o Maior e
Melhor São João do Mundo, que pela sua autenticidade e
espontaneidade constitui um dos eventos mais conhecidos do país,
também colaborando para o impulsionamento do turismo e economia
locais.
Os índios estavam certos. Caruaru é mesmo a terra da abundância.
Viva Caruaru em seus 147 anos. |